12 de mar de 2013

Poema da batalha


Escuta Deus: jamais falei contigo. Hoje quero saudar-te.
Bom dia! Como vais?
Sabes? Disseram que tu não existes, e eu, tolo, acreditei que era verdade.
Nunca havia reparado a tua obra.
Ontem à noite, da trincheira rasgada por granadas, vi teu céu estrelado e compreendi então, que me enganaram. Não sei se apertarás minha mão. Vou te explicar e hás de compreender.
É engraçado: neste inferno hediondo, achei a luz para enxergar teu rosto. Dito isto, já não tenho muita coisa a te contar: só que... que... tenho muito prazer em conhecer-te.
Faremos um ataque à meia noite. Não sinto medo. Deus, sei que tu velas...
Ah! É o clarim! Bom Deus, devo ir-me embora.
Gostei de ti, vou ter saudades. Quero dizer: será sangrenta a luta, bem o sabes, e esta noite pode ser que vá bater-te à porta!
Muito amigos não fomos, é verdade. Mas... sim, estou chorando!
Vês, Deus, penso que já não sou tão mau.
Bem, Deus, tenho que ir.
Sorte é coisa bem rara: juro, porém, já não receio a morte.

O autor deste poema? Quem o sabe? Foi encontrado em pleno campo de batalha no bolso de um soldado americano desconhecido. Do rapaz, estraçalhado por uma granada, restaria apenas intacta esta folha de papel.

(do livro "As mais belas orações de todos os tempos")

Para nós


(Existem algumas versões desse texto na Internet, mas incompletos)


Quando você sentir vontade de chorar, não chore
Pode me chamar que eu venho chorar por você.
Quando você sentir vontade de sorrir,
Me avise que eu venho para sorrirmos juntos.
Quando você sentir vontade de amar,
Me chame que eu venho amar você.
Quando você sentir que está se acabando,
Me chame que eu venho ajudar-lhe a reconstruir.
Quando você achar que o mundo é pequeno demais para sua tristeza,
me chame, que eu venho torná-lo grande para sua felicidade.
Quando você precisar de carinho,
Me chame, pois o meu é todo seu.
Quando você precisar de companhia naqueles dias tristes e nublados
Ou naqueles dias ensolarados
Me chame, que eu venho, venho sim, amor.
Quando você carecer de um beijo,
Reclame, reclame que eu darei.
Quando você estiver precisando ouvir dizer: “Eu te amo”,
Me chame que eu digo a você a qualquer hora.
E quando não precisar mais de mim,
Me diga e eu simplesmente irei embora,
Porque a melhor maneira de se amar
É ter consciência de que um dia
Pode-se perder esse amor.

Justiça

Cristiane Framartino Bezerra
Historiadora, escritora, angelóloga

Leio jornais e observo as redes sociais!
Percebo como é incrível a nossa necessidade de ter e de fazer justiça.
Temos sede dela.
Queremos sua aplicação severa, rigorosa, a tudo e a todos!
Mas que venha a ser branda, por favor, se o erro for nosso.
Aí pedimos clemência e comiseração.
Independente de questões religiosas, gosto muito das parábolas de Jesus.
Uma em especial, onde um homem, devedor de uma fortuna a um rico mercador e não tem como pagar, implora perdão.
Apela por seus filhos, por Deus, enfim.

12 de fev de 2013

Sentimentos...

Stella Florence

Sentimentos? Eles se transformam em outros sentimentos, mas não passam. As pessoas que você amou, nunca te causarão indiferença: sua única certeza é que você sempre vai sentir algo quando as encontrar. As pessoas que te menosprezaram, te usaram ou simplesmente te rejeitaram, continuam, cada qual com sua adaga, perfurando seu amor-próprio, dia após dia, umas mais, outras menos.

Somos todos, homens ...e mulheres, mestres no fingimento, na dissimulação, no recalque, mas a verdade é que nada passa. Por isso você vê uma mulher histérica ao pegar uma cebola podre no supermercado, por isso você vê o homem agindo como um primata no trânsito, por isso seu chefe estoura sem razão, por isso você teve uma crise de choro durante aquele filme que nem triste era, por isso as pessoas têm chiliques inexplicáveis: porque nada passa e nós precisamos de válvulas de escape.

Fica sempre um pouco de tudo, escreveu Drummond, às vezes um botão, às vezes um rato. Se você me vir tendo um chilique ao pegar uma cebola podre no supermercado, já sabe o que é: são as cócegas malditas dos meus malditos ratos. Porque tudo muda, mas nada, nada passa.