16 de fev de 2012

O mundo e sua história foram construídos por guerreiros

Carlos Eduardo Oliveira Ramalho

O mundo e sua história foram construídos por guerreiros, que não se preocupavam em parecer loucos ou desordeiros, mas sim em mudar a dura realidade que viam em torno de si. Esses guerreiros não se preocupavam em respeitar os status quo, nem se prendiam no conservadorismo e, graças a esses grandes seres humanos o mundo vem mudando constantemente, nos dando a esperança sempre de que é possível sim sonhar com a paz. Guerreiros como Mahatma Gandhi, Madre Teresa, Nelson Mandela, Martin Luther King Jr., Lech Wałęsa e tantos outros mudaram o mundo sem armas nas mãos, usando apenas as palavras e o amor pela humanidade. Dentre essas pessoas, há também um homem especial, que dedicou sua vida à luta pela liberdade: seu nome é Chico Mendes e vou apresentá-lo agora aos que ainda o desconhecem.
Francisco Alves Mendes Filho nasceu em 1944, em um seringal no interior do estado do Acre, noroeste do Brasil, em uma pobre e numerosa família de seringueiros. Francisco, que era conhecido como “Chico” presenciou desde cedo a luta dos povos da floresta, dentre os quais seringueiros e índios, pela posse de suas terras, pela não destruição da floresta e pela busca de dignidade para suas famílias, vivendo às margens da sociedade em um dos locais mais inóspitos do Brasil, próximo à fronteira com o Peru e a Bolívia. Chico Mendes tornou-se um líder local e como ele mesmo declarou, no decorrer de sua luta: “Primeiro, pensei estar lutando para salvar os seringais, depois para salvar a floresta Amazônica. Agora percebo que estou lutando pela humanidade”. A sua luta pelos Direitos Humanos chamou a atenção de várias pessoas ao redor do mundo, mas ao mesmo tempo, rendeu-lhe muitos inimigos, entre quais, os fazendeiros que eram donos das terras e queriam que a situação, tanto das pessoas que ali viviam, quanto da floresta, que estava sendo desmatada, permanecesse como estava.
Mesmo sofrendo ameaças de morte, Chico Mendes liderou protestos contra a opressão e o desmatamento e liderou muitas vezes grupos que se abraçavam às árvores para impedir que essas fossem cortadas. Chico tinha uma visão muito ampla de como a humanidade deveria funcionar, protestando pelos direitos humanos e pela liberdade, em uma região em que a lei favorecia a minoria privilegiada da sociedade e oprimia ainda mais a grande maioria que vivia à margem da civilização. Ele lutou até o fim de sua vida, não desistindo em momento algum de sua causa e aos 44 anos foi assassinado por fazendeiros que se opunham a sua luta. Tal qual Luther King e Gandhi, Chico Mendes perdeu sua vida em prol da causa que defendia, mas sua luta não findou com sua morte, pois seu legado permaneceu. Foram criadas dezenas de reservas no estado do Acre desde então, garantindo aos seringueiros e demais povos da floresta, o direito de explorar a Amazônia de forma a mantê-la preservada. Diversas ONG’s foram criadas, seguindo seus passos na luta pelos Direitos Humanos e ele é reconhecido como um dos grandes “guerreiros” brasileiros, que lutaram pela dignidade de seu povo. A Amazônia, o Brasil e o mundo devem muito a Chico Mendes, alguém que provou que a paz só se conquista por meio da paz e que enquanto algo estiver errado ao nosso redor, é necessário lutar.
Diversos cantores, cineastas, escritores e jornalistas prestaram sua homenagem a Chico Mendes, divulgando sua luta e agradecendo sua dedicação em prol dos Direitos Humanos. O grupo mexicano “Maná” lhe dedicou a canção “Cuando los ángeles lloran” e Paul McCartney lhe dedicou a canção “How many people”, dentre tantas outras obras espalhadas pelo mundo.

Um comentário:

  1. Obrigado por divulgar Monica!!
    O legado desse brasileiro que entra no hall de pessoas no mundo que lutaram sem armas e alcançaram o que os que atiraram bombas não conseguiram, deve ser lembrado sempre!!
    Chico Mendes vive a cada pessoa que descobre a sua história e tenta passar adiante seu legado!!!
    Abraços!!!

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