5 de fev de 2012

As belezas e contradições da vida

Cristiane Framartino Bezerra
Historiadora, escritora e angeóloga

Ler, para mim, de fato é uma benção!
E mais ainda quando determinadas leituras se entranham na minha mente e no momento oportuno florescem como sopros divinos!
Agora há pouco eu pensava nos últimos acontecimentos de um ano bebê. Recém iniciado e tão repleto de altos e baixos, injúrias, mal entendidos, fofocas, blaterações...
De repente, brotou a frase do Tagore: “Há beleza na flor que desabrocha e bondade na que murcha!”...

Mas que dificuldade este entendimento.
Quantas reuniões do CVV, do Tai Chi, do Zen, do Cristianismo, missas, cultos, sessões... Todas dizendo a mesma coisa: “Está tudo certo no Universo”, “os fatos são amigos”, “tudo o que nos acontece nos favorece!”, “tudo coopera para o bem dos que amam a Deus”, “o que não mata, engorda!” e por aí afora.
A noção verdadeira de que o que é benção ou fatalidade só Deus pra saber, que uma coisa parece muito boa hoje e amanhã se transforma num enfado (só observarmos as estatísticas das mulheres espancadas por seus maridos... Pensar que um dia houve um oferecimento de flores, telefonemas sedutores, para depois tudo virar pesadelo).
Ou seja, ninguém pode veementemente determinar com segurança o resultado final de uma ação, por mais que acredite muito piamente em plantação e colheita.
Talvez o fato de crer numa teoria reencarnacionista dê um alento um pouco mais especial.
Se eu não fiz as coisas que estou recebendo desta vida, nesta vida, porque estou recebendo? Porque fui algoz, carrasco, tudo de ruim...
Mas quando consigo absorver todas as energias, compreendendo que sou parte de um todo maior, que reúne bênçãos e fatalidades num mesmo “balaio”, respiro, contemplo, reverencio e aceito
– “Ok, Cosmos, qual é a lição desta vez?”
Valso sobre os obstáculos, danço a dança da minha própria alegria e ignorância, entristeço pela maldade de algumas pessoas e chego a orar por elas, de verdade...
A lei de causalidade do Universo é rigorosa e ninguém escapa.
Podemos escapar da justiça humana, podemos olhar nos olhos de alguém enganando-a e ela não perceber...
Mas o Universo percebe. Tem certeza de cada comportamento nosso.
E aí, quando consigo levantar o pescoço do lamaçal da tristeza em que começava a chafurdar,
vejo luzes brilhantes e reluzentes no fim do túnel.
Fui jantar no restaurante japonês da minha preferência, o Yakin, e sou surpreendida com uma homenagem do sushiman Victor, preparando-me um delicioso sushi de abacate!
Ontem, recebi um presente precioso do Dr. Décio Agostinho, um cd intitulado “O romance da música”, com pérolas de canções que inspiraram seu namoro com a querida Sônia!
Conheci a Andréa Nicia e um novo grupo de amigos, voltados para terapias holísticas e tratamentos integrados entre corpo, mente, alma e coração!
Estou sendo delicadamente reconduzida de volta a mim mesma, por forças angélicas indestrutíveis e muito amadas!
Como diria Manuel Bandeira: “Há problemas, eu sei, mas há flores!”
Minha vida tem dores intensas que só eu e Deus sabemos. Mas tem presentes tão fantásticos, amigos tão queridos, bênçãos tão plenas, invisíveis por vezes aos olhos físicos, mas que banqueteiam a alma!
Perdas, fatalidades?
Injúrias, maldades?
Tempo, silêncio e amor!
Curas perfeitas e raras de todas as feridas!
                                 

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